quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

SÚBITO ENCONTRO


O silêncio em um labirinto

Ouvidos cegos não podem escutá-los

Olhos surdos não conseguem vê-los

O grito é a voz do silêncio

Que se perdeu num súbito encontro com a mais bela sensação de estar diante daquele
que por uma razão talvez metafísica revelasse-me o enigma de mais uma esfinge que ainda atormenta o homem

O homem encontra-se desprotegido

Sua armadura não lhe serve mais

Sua sabedoria caduca

Mal consegue caminhar, apesar do auxilio de sua velha e inseparável bengala

Herança de seu passado promissor.


Didiu 2006


IDEIAS FIXAS


Tive ideias

Ideias fixas!

O antídoto

O emplasto

O riso

O passageiro... efêmero

O sempre nunca é pra sempre
É um coletivo que passa
Estardalhaça

É o que vai
Foi-se

O tempo da dor
O tempo das dores
Sem cores
Desbotadas
Quase abstratas
É o que se repete
E que agora não é mais dor

É FORÇA
Energia potencializada
É o que nos faz perceber que estamos mais que vivos

Dor?

Didiu Dezembro 2008

sábado, 22 de novembro de 2008

FOTOGRAFIAS

Retratos retalhados sobre os telhados

Poesia marginal

O obscuro, o subversivo

A janela que se abre

O corpo que cai

Deleite delinquente deleite no jardim das delicias

Musas... ninfas...

Belas e intermináveis Eurídices

Fotografias ao vento

Dançando aquela suave nostalgia

Despindo-se das mais doces memórias

Misturando-se aos grãos de areia trazidos pelos infieis ventos frenéticos

O beijo no asfalto sob olhares apressados

Atropelado pelos velozes carros na via dupla

E agora, todas aquelas fotografias findam-se espalhadas

Despedaçadas sem poder retornar aos albuns e porta-retratos.


Didiu Novembro 2008




quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Os Ponteiros


Relógio sem ponteiros

Cem ponteiros?!

Mas para que tantos ponteiros?

Lavei as escadas para aqueles romeiros

Beatos forasteiros!!!

Uma esmolinha pelo amor de Deus

Ajude este pobre ceguinho!

Gota de Orvalho


A casca envelhece

Apodrece, acaba...

Definha-se

Morre!

A peróla é brilhante

Sua beleza irradia

É uma gota de orvalho

Faz brotar

Dá frutos, que são sementes

Que viram árvores

Que dão flores...

Que fazem sombra

Para aquele casal que quer descansar

Que não é apenas casca.


Didiu 2006

domingo, 16 de novembro de 2008

A LIBIDO


Vinte ventos a libido

Sentimento sentido

Pensamentos vêem

Não enxergaram... foram-se

Resguardo-me daqueles olhos que me ofuscam

Fazem-me pensar

Desejo

Anseio ao vento

Vento que lhe toca

Suave lhe afronta

O gozo

Interminavelmente para sempre até o fim

O proibido... o torto

Calmamente subversivo vai

Desfaço desfazendo-me desvairado

E quando vós ouvirdes falar...

Incessantemente intenso será o começo

E não me implore para ir embora

E não me peça para que eu abra a porta

Ela não existirá!


Didiu Novembro 2008



quinta-feira, 6 de novembro de 2008

MÁSCARA DA TRAGÉDIA


A vida é para ser vivida paradoxalmente

Portanto, vamos mergulhar para o fundo do abismo

Vamos colocar nossas máscaras da tragédia!

Isto será preciso

Para alcançarmos o ponto mais alto desta montanha maluca

Vamos nos encontrar no amanhã

Mesmo que não faça sol.

Didiu 2005

CONVITE


Qualquer dia desses...

Irei convidá-la para tomar vinho

Sob uma lua quase cheia

Qualquer dia desses...

Numa noite fria

Irei pintar seu rosto

Seu corpo

Seu vestido

Uma pintura surrealista

Com cores quentes

Vermelho, laranja de cádmio...

Qualquer dia...

Desses dias quaisquer.

Didiu 2006

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

AMOR PLATÔNICO


Meu pensamento está à flor da pele

A lua insiste em me deixar nu

Desprovindo-me das minhas mais belas desnudas vergonhas

O sábado antecede o domingo

O desejo prescede o gozo

A efervescência de um beijo mergulhado num copo de vinho

_ Que se retirem as flautistas, porque agora eu quero falar:

TODO AMOR É PLATONICO!

É Eros, filho da riqueza e da pobreza

É preciso galgar e se satisfazer degrau por degrau

Para atingir a sublimação, o ápice, o supra-sumo, a essência requintada das coisas belas...

A exterioridade do interior que aquece os hormônios.

Didiu junho 2006

domingo, 2 de novembro de 2008

FEIJÕES


Não sinto o vento

Mas vejo a chuva que cai sobre os telhados das casas

Que não são de sapê

As calhas forjam as águas que fogem para formar mais uma poça d`´agua, que reflete aquele olhar triste,mas quase risonho

Risonho e límpido

Quanto vale alguns grãos de feijão?

Porventura o mundo seja mesmo uma moeda dentro da algibeira de um gigante adormecido

Quando ele acordar...

Os feijões já estarão crescidos

Crescerão tanto que me conduzirão a ele

E o que fazer?

Combatê-lo?
Ou entende-lo?

Nunca diga nunca
Nem mesmo na terra do nunca
Onde nunca estive
aonde nunca fui
De onde nunca saí.

Didiu Outubro 2006


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

POEMA PARA OS OLHOS TEUS

Há um paraíso nos olhos teus

Maçãs...serpentes...

O jardim do Éden

Com flores que provocam a libido

Que me afoga no mar do norte!

Há um divisor de águas nos olhos teus

Por onde pecorrem membros da pequena nobreza, trazendo rosas para canonizá-la

Estes olhos teus...

São pingentes envoltos no pescoço daquela bela camponesa

Que se encantara pelas perversas indulgências

Há uma lua que se foi com os ventos

Um lindo vestidinho negro...

Uma ampulheta que marca o tempo

E que não existe para os olhos teus

Os olhos teus já enamoraram os olhos meus

Tomaram vinho no coliseu

Observados por olhos que não são teus

Nem meus!

Por isso retratarei teus olhos

Corpo e vestido

Sob quaisquer intolerâncias que intimidem minha doce sublime sublevação.

Didiu Março 2008


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ALGUÉM


Esta noite conduzirei meu pensamento

Levá-lo-ei para pintar

À procura de um certo alguém

Nas tintas e nos pinceis

Tenho certeza que ele vai surgir

Será?

Senão...

Vou buscá-lo

No mar da Árabia!

Nos confins

Com a ajuda dos serafins.

Didiu

sábado, 25 de outubro de 2008

ANDANTE CAVALEIRO ANDANTE


Tão perto...

Tão longe

Andante cavaleiro andante

Guardião, protetor, apaziguador

Transpõe os dois lados

O vazio não lhe pertence

Mas ousa perpetrar.

Didiu

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

PRAZERES


Me redimir diante de tais prazeres?!

Entregar-me à racionalidade que oculta minha desnuda vergonha?

Seria uma tremenda imbecilidade!

Seus olhos assemelham-se a um espelho

Que reflete minha alma

Esta que é progenitora do meu pensamento

Cabe a mim enfurnar em suas entranhas

E extenuar toda complexidade daquela que expropria minhas ações

E, ou, talvez, minhas não ações.

Didiu

domingo, 19 de outubro de 2008

VERSOS


E depois de você que nunca existiu?!

Mas sempre me ouviu

Entre tantos os versos

Dos mais lindos e sinceros

E hoje te quero

Mas longe te espero

Numa esquina qualquer

Sob um sol à espreita...

Que quer despertar uma linda mulher (você)

Que enfim tornaste parte

De mais um poema...

De quase um poeta

Que ainda não fui

Mas me atrevo a não ser.

Didiu

sábado, 18 de outubro de 2008

PALAVRAS


As palavras estão escondidas
Brincando de esconde-esconde
As palavras estão mal resolvidas
Desentendidas...
Perdidas numa caça-palavras
As palavras fugiram
Uniram-se à uma oração
As palavras sublevaram, desafiaram, conspiraram contra os deuses
Desacorrentaram Prometeu
E ainda disseram que fui eu!
As palavras enganaram-me
Embebedaram-se
Tomaram vinho num banquete, construiram imponentes falácias...
Legitimaram os sofistas, construiram naus, invadiram, inventaram um novo mundo, exterminaram outras palavras
As palavras transformaram em indulgências redimindo todos os seu pecados
Pregaram outro na cruz!
As palavras se dissolveram
Formaram outros grupos de palavras
Sufixos...prefixos...
Mas, como não entendo nada de gramática
Resolvi não dizer mais uma só palavra.

Didiu

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

INSOLÊNCIA


Vento infiel!

Fumou o meu cigarro

Jogou cisco nos meu olhos

Empurrou as nuvens encobrindo a minha lua

E agora ameaça trazer a chuva para molhar as roupas que estão no varal!

Nuvem inconveniente!

Como ousa esconder de mim aquela que estás prestes à parir um filho meu!!!

Didiu

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

PRÓXIMO ATO

Tesouras que cortam...
Para depois tudo virar retalho

Lua que flutua
Nem minguante...nem quarto crescente
Lua cheia-nova

Um sorriso
Olhar bucólico

Luvas negras calçam aquelas mãos que de longe me acenam
dando-me tchau, um adeus, um até logo...caminhando por pasargadas sem deixar pegadas, sobre rastros invisíveis que contempla desejando estar.

"Não vamos deixar que nos vendam tão barato!"
Ao ponto de não poder nos imaginar naquela cena
Num próximo ato!
Atropelando as senhoras vendendo bolsas e cosméticos.

Uma tarde...outra tarde...
Mas a noite continua
E a lua ainda flutua!

Didiu

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

PARADOXO DO MUNDO NOVO



O paradoxo anda sempre em linhas tortas

Leva consigo o sol nascente vestindo um sol que morre todos os dias

O paradoxo anda sempre em linhas tortas

Seus dias são suas noites em claro, revelando seu eterno tempo efêmero. Um corpo fomentado pela fartura que lhe falta, mas mesmo assim o deixa de pé sobre as imensas plataformas mendigando sua riqueza de pobre coitado. Um rei absoluto, aritocrata, fidalgo.

O paradoxo anda sempra em linhas tortas

Em seu bloco de anatações com antigas folhas de papiro, ele escrevinha toda sua estupidez, Isto lhe faz bem. O eleva! Assim, surge diante de suas prerrogativas, seu estado sublime de existência. O ser e o nada.Paradoxo do mundo novo, tão velho que caminha sustentado por sua velha e inseparável bengala ornamentada com filetes de ouro forjando seus próprios passos demasiadamente humanos.

O paradoxo anda sempre em linhas tortas

E como Sísifo, também está condenado a um castigo pungente. Não por ter desafiado os deuses, mas por desafiar a sí mesmo. No entanto, esforça-se em desvendar enigmas semelhantes aos da esfinge de Édipo.

O paradoxo anda sempre em linhas tortas

Desta forma ele consegue superar toda a sua degenerescência humana e criar seus próprios conceitos, contemplando os homens em suas sociedades, divertindo-se, dando gargalhadas sarcásticas e embebedando-se com varias doses de vinho, oferecendo cicuta em taças de prata aos ignorantes ostentados por uma tamanha imbecilidade. Porque além de tudo, estes são burros! Apesar das suas extraordinárias invenções que maqueiam toda uma geração de hipócritas.

O paradoxo caminha sempre por linhas tortas.

Didiu

terça-feira, 14 de outubro de 2008

LIBERTAS QUAE SERA TAMEM



"Idearam, como tinham ideado a Arcadia, uma patria independente; deram-lhe um congresso legislativo; pensaram em uma universidade; criaram uma bandeira sem cores mas tendo por brasão um genio da liberdade na figura de um indio livrando-se de suas algemas e por divisa: Libertas quae sera tamem. Mas esses dourados sonhos, mas estas esperanças patrioticas pue lhes alvoraçaram os animos, com ser utopias para a sua epocha,os perderam! Denunciou-os a traição."

ROSA DOS VENTOS


Se eu pudesse roubar os ventos...
Qualquer dia desses lhe levaria para passear num tapete mágico aos quatro ventos

ROSA DOS VENTOS

Argonalta que não sou...
Qual a nau que me conduziria sobre um vazio de luz, às cores do espectro de um prisma daqueles olhos que não são azuis?
Monstros marinhos, abismos sem fim...
Até o começo
Aventuras... Desventuras
O desconhecido lhe ofereço
Sem mapas, sem trilhas, nem pistas
Apenas uma luneta para poder gritar:

- TERRA À VISTA!!!

DIDIU Junho 2006

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

MERAS PALAVRAS


A lua foi descendo...descendo...
Desceu tanto que desapareceu
Foi-se
Foi-se com os ventos!

Foi se encontrar com aquela estrela cadente que não vi
Ou quiçá encontrar com a menina em seu lindo vestidinho negro
Que dela agora apenas restara seu sorriso, seu olhar

A festa acabou
E agora José?

Eu e esta minha idiossincrasia, pensando nas flores que não existem no campo
Pegadas sujas de lama!
Tudo enfim chegou ao fim
Só me resta ir embora
Poderia até chegar mais tarde, mas não quero ver a cara do sol
Por isso vou esquecer de tudo
Da apatia do mundo!
Acender um último cigarro, que possa fazer-me calar
Mas, no entanto, não me emudeço

Possibilidades perpassam e persignam resguardando-me do gosto do gozo que ainda não experimentei
Travesseiros me atrapalham, mas me confortam
Oferecendo-me as maçãs da branca de neve em seu lindo vestidinho negro
Que agora não mais se atreve
Em me abordar com sinônimos de quaisquer meras palavras.

Didiu


TERCEIRO SOL


Almas inóspitas levam-me ao supra-sumo da realidade
Pegadas que regem o tempo
Movimento lúdico

O terceiro sol

Folhas que caem
Manhã fria que adormece em meu peito
Terceira perna que sustenta a minha ansiedade
Eterna..Efêmera
Preto no branco
Tristezas que se resume em alegrias, reluzindo no meu pensamento

Girassóis... Gira...Só...l...

Mãos que se unem no meio da multidão
Corpos colados
O relógio indica as horas, mas o tempo inexiste
A alegria está nos olhos de quem vê a tristeza passar

Dialética da felicidade!

Risos, aplausos, cores do espectro
Realidade metamorfoseando-se
Inexorável primazia
Movimento único
Virtú e Fortuna maquiavealiando-se no pensamento
Dois pontos que encontram-se no interlúdio da composição

Girassóis giram sós.

Didiu 2003
,

O BANCO

Uma bela no palco
Retratando suas mais belas e subjetivas abstrações

Um beijo com gosto de olhos verdes que ainda não vi
Sob uma lua que agora se esvai

Pele clara...

Pensamento sócratico
Por uma rua contemplendo nenhuma pedra no meu caminho

Um banco
Mãos dadas

Não revelarei meus pensamentos
Que se perdem pela madrugada.

Didiu

domingo, 12 de outubro de 2008

POESIAS



Especulações do pensamento.
São, ou não são tendenciosas?!

Expectativas se consomem
Incertezas se organizam para dar fim a mais um final de um início

Barcos à vela...à deriva
Não exixtem ventos... Mas insistem!

Momentos que me sopram

-Não entornes as poesias que lhe faço
Mas se assim for...
Cate-as!
São suas
Sinceramente pra você!

DIDIU

EVIDÊNCIA


Um vôo em evidência
Um pensamento ao ré-do-chão
Um quarto sem portas
Uma janela por onde transcende a alma
Que é azul

O terceiro sol es Uno
Ilumina o quarto daquele cortiço
A bílis é negra

E depois de decifrar o enigma da esfinge?

Pateticamente revala-se o mundo
Na quinta esquina
No centro de tudo.

Didiu

ELEFANTES

E OS ELEFANTES ADORAM RONDAR PELO MEU PENSAMENTO
ELEFANTES NEGROS, AMARELOS, BRANCOS E VERMELHOS
ELEFANTES SEM PASSADO
NUMA CIDADE SEM FUTURO
PERAMBULANDO POR UMA RUA SEM SOL

A TERRA ESTÁ EM TRANSE!
A UTOPIA ESTÁ EM CIMA DO MURO!
E OS ELEFANTES?

AH1 ESTES CONTINUAM A RONDAR PELO MEU PENSAMENTO
CERTA VEZ, ELES DESTRUÍRAM UM JARDIM INTEIRO DE GIRASSÓIS
DEIXANDO TODOS EM PRANTOS!

DIDIU


sábado, 11 de outubro de 2008

POLIMORFO 2


Caminhos incertos
Encruzilhadas...
Labirintos sem pegadas

Somos todos polimorfos

Qual é o problema xxx?
"O homem de gênio e a melancolia"
Do rés-do-chão às alturas

Vivemos uma vida teoretica
Comtemplativa
Quantas caixas de Pandora ainda serão abertas?

Não temos lugares
Estamos em toda parte!
Somos um todo
Um quase nada
Seres de exceção

Somos Zaratustra e eu!

Didiu

POLIMORFO

Quase azul
Fui azul
Sou azul
Minhas lágrimas secaram meu sorriso, minha tristeza, minha melancolia
Portas e gavetas não se abrem mais
Um grito ecoa no escuro
Revela meu querer-viver
Há uma chama que não se apaga, mas efêmera
O beijo que não lhe dei
O odor da solidão
O prazer do vir-a-ser, do povir
O mundo é uma alegoria
" Mundo como vontade e representação"
O nada existe, o tudo inexiste
O tempo foi-se com os ventos...
Minhas mãos clamam
Vou retratar meu rosto, minha alma num azul-branco de uma tela
Os elefantes, eu e você
O terceiro sol me revela, me ressuscita todos os dias
A vida se dá
A vida lhe rouba, me rouba, me assalta, me sopra
Perco-me neste desatento
Do rés-do-chão às alturas
Em minha escassez
No meu reencontro com o azul
O azul do meu quarto
Um quarto de um século
Na piscina dos teus olhos me afogo
Respiro o mundo
Embriago-me pela condição miserável do homem
Minhas asas não são tortas
São certas, corretas, incertas, invisíveis, indivisíveis
Meu rosto é esta máscara que so pode ser vista quando refletida no espelho
Que foi quebrado
Restam apenas cacos
Certo dia porventura vamos nos reencontrar
Unir nossa respiração
Será belo, uno
Uma provocação do certo e o incerto
"Criar linguagem para aquilo que não tem linguagem"
A alma é azul
A bílis é negra
Somos todos polimorfos

Um quase poeta que não fui
Numa noite onde tudo aconteceu
Belas são as palavras.

Didiu

MEMÓRIAS DE UM ZÉ DOENTE

Eu, nesta minha santa enfermidade
Lutando contra todos estes maus quistos contratempos
Que vieram com os novos tempos frios
Que vieram com os velhos ventos frios
Que já foram amenos!

Ventos que certa vez trouxeram Luiza
Ventos afáveis que sutilmente tocaram sua pele branda
Revelando sua anelante respiração
No entanto, diante desta incomoda circunstância
É relevante insurgir contra estes agora arrogantes ventos
Rebelar-me contra estes frios ventos
Que insistem em me anular
Sinto-me num cárcere!
Privado de poder tocá-la
Sinto-me como aquele poeta desatento
Que deixara escapar-lhes seus mais belos versos quixotescos
E que agora também luta contra todos os moinhos de vento

Estas são minhas adoráveis sumárias memórias
Memórias de um "Zé doente"
Que ao contrário de Brás Cubas...
Resolvi contá-las em vida e não postumamente.

Didiu

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

CONVERSAS

A alegria invade e expropria esta tal felicidade
Que emudece momentos
Que secam as lágrimas de Heráclito
Que me ergue num estandarte
Respiro com alívio que me aflige num vazio copo com suor de cerveja
Aquele meu desejo, caminha sob a lua que sopra os ventos desde 1853

Bohemia e Boêmios

Conversas que me distraem com tiros de sussurros
Entornando-me sobre a mesa
Destruindo todas as flores que ainda não cresceram
Mas insistem em espalhar pétalas que sorriem despedaçando o cheiro da chuva
Que me protegem de mais uma efêmera felicidade.

Didiu

SOBRAS


Minhas palavras estão bêbadas
Saltitando por aí
Equilibrando-se sobre um meio-fio
Minhas palavras não estão sóbrias
São sobras de um banquete
Todos estavam famintos!
Das palavras, restaram apenas migalhas
Que ainda me alimentam

Vou beber minhas palavras!
Devorá-las, misturá-las...
Desfazê-las num copo de absinto.

Didiu

PEGADAS

. Sapatos vermelhos calçam aquelas pegadas de outrem
Deixando para trás o imprevisível... o incontestável!
Histórias que lhe escapavam
Mas que por um instante...
Aqueles vermelhos sapatos tornavam-lhe subitamente presente.