quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O voo dos sonhos ( poesia do Condor )





A poesia que não é de minha autoria

É do pássaro

Poema que não fui eu que fiz

Foi o pássaro

Mas os versos foram meus!

Palavras...  reticências, vírgulas, pensamentos

Estrofe para música, canção para as Minas Gerais

Flores que desabrocham, flor de laranjeira, oceano de pétalas

Filtro dos sonhos e o pássaro Condor com asas abertas, majestosa paz

Beleza manuscrita nas páginas dos céus, nas entrelinhas dos olhos castanhos, nos raios de todas as tardes e manhãs



E pela noite pousa o pássaro, descansa, se arranja para o novo voo.





Didiu  2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Tic TaC TiC TAC ( Indizível invisível )




O gesto do vinho pelo vermelho da boca

Tintos, os lábios da noite

E as taças erguidas versando a lua que atravessa o silêncio para o encontro dos olhos à mesa posta

Transbordam as horas

Bordam segundos seguidos

Minutos de segredos



E o clarão, a súbita voz dos segredos

Música

Verso

Poema



Tic TAC... tic TAC

Tic TAC indizível



Invisível relógio do tempo e a melodia que navega transcendendo, perpassando sonhos com asas rascunhadas, livres e libertas.



Fez-se então o clarão da lua

E as árvores da rua puseram a cantar... cantarolar.



Tic TAC... tic TAC



Didiu 2014




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Bia e Antônio - Amanheceres brancos




O Tempo e o vento transitavam sem muita pressa, desencadeando lembranças, vozes internalizadas ocultas nas paredes, nas paginas dum prefácio de mais um livro de contos. Um tímido sorriso alongava-se toda vez que o olhar de Bia recorria às imagens de seu pensamento  cor de laranja pera que se misturavam com o clarão dos seus pequeninos e grandes olhos arregalados, denunciando sua terna saudade que lhe fazia suspirar compassadamente. 

Mergulhada num vazio que lhe fazia companhia pela cidade, observava carros, pessoas, transeuntes. Bia passava seu tempo catando frases distraídas de outrem. Já havia quase duas semanas que Antônio não fazia mais parte de sua saborosa rotina do dia a dia: cinema, poemas, discos e tintas. Um quadro de Antônio ainda por terminar num canto do seu quarto parecia lhe falar aos ouvidos, cochichando juras e versos.


Bia sorria, declamava,amava... sentia-se bem com suas intimas confissões . Sua nova rotina lhe proporcionava momentos extremamente peculiares. O tempo girava e os ventos sopravam de alguma forma sempre a seu favor, apesar das súbitas às derivas. Ideias à vela lhe conduziam descortinando seus sonhos, seus questionamentos.


E Antônio sonhava vendo amanheceres brancos desejando as cores e os olhos de Bia. 

Didiu 2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

NOSSOS CORPOS... CANÇÕES & POESIAS



Canção dos corpos ensinando-me a escrever ouvindo gemidos dela pelas noites, pelas luas, arrepiando pelos meus

Travesseiros -travessuras

Línguas, bocas, pele nua, o afago que estica pela cama, pela trama – libido



E comigo aroma exótico fica

Suavidade... conforto, a voz aos ouvidos, sussurros trêmulos e o abajur testemunhando blues azul no céu do teto da sala

As canções e os ventos

Nossas bocas sedentas, salivas e línguas; olhares, pernas & pétalas 



Desejos nossos entrelaçando-se, laçando minutos, ritmos, versos, verbos

Atalhos, nossas andanças, nossas taças e o tinto do vinho de Baco.



Canções dos corpos ensinando-me a levitar.





Didiu 2014


segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sessão das nove para uma garotinha que se sentia feliz, absolutamente distraída





Cinema drive-in para namorados e enamorados... divertimento para crianças

E os olhos dela brilhavam definitivamente fascinados, envolvidos, enveredados por um caminho de sonhos, desprendidos, soltos para divagarem pelos mares do céu. Quiçá ela gostaria de estar lá, transitando em orbita, quem sabe na busca incessante pela perdida terra do nunca para enfim realizar todos os seus desejáveis desejos imaginários e, brincar de esconde-esconde numa branca nuvem lunar.Pouco importava para nossa pequena garotinha aquelas imagens fílmicas em movimento, aprisionadas na enorme tela branca diante daquele para-brisa meio embaçado.A liberdade de estar levemente pousando com sua pequenina espaçonave cor de rosa, inventada por ela mesma no colo da sua admirável lua, juntamente com sua tripulação de bonecas e ursinhos falantes e por lá permanecer por um longo tempo (pelo menos até o final daquela sessão), era o seu desejo maior.

No Céu,a lua se apresentava numa sinopse, e a garotinha com seus olhos vidrados comendo pipoca,deslumbrava atenta sem de forma alguma querer piscar os olhos. Uma cena clássica como num filme clássico.Ela, com seus cabelos de carochinha dos olhos de mar, conduzia a cena com tamanha desenvoltura semelhante uma renomada diretora da sétima arte.

Mas de repente o filme pifou, não o daquela fria e gigantesca tela branca mas,o longa metragem que estava sendo filmado, dirigido e exibido pela nossa pequenina cineasta. Foi interrompido por uma voz adulta e áspera:

_Minha filha, quantas vezes eu vou ter que lhe falar para parar de ficar olhando e conversando com esta maldita lua? Parece louca! Presta atenção ao filme! Já lhe avisei mais de mil vezes, afinal eu tive que pagar para estarmos aqui, não me faça desperdiçar meu precioso tempo e rico dinheiro!!!

 Didiu 2014