terça-feira, 24 de maio de 2011

SINÔNIMO VOZ

Quem porventura me emprestou esta minha voz?
Meu paradoxo
Meu desacato, meu desatento
E em premeditada clemência, sabotou meu sorriso com uma gota de lágrima
Agradeço desde já vossa generosa benevolência vos oferecendo três doses de licor, para que possas apreciar a palavra bebedeira que acabei da arrancar do dicionário.
Meu poema agora é vosso!
Condeno-vos a lê-lo
Retrato minha voz, meus olhos
Minha alvorada devoro
Faço-vos cúmplice dos meus passos
... meus sinônimos.

Didiu  2011

segunda-feira, 16 de maio de 2011

"PECADO"

Insistiu (o)culto
Privou-se
Atreveu-se (des)aparecer
Apagaram-se as luzes
Na estação, não passou o trem
Perdeu-se pelo caminho.
Trem fantasma trazendo inverno
Despediu-se daquela flor
Um beijo... um toque
Entre os dedos desperta
O gozo... o gosto
Agora vai e seduz a si mesma
Vai passageiro
Vislumbra cor cálida
Nas entranhas da alma implora
Fizera do culto, pecado.


Didiu  2011

quarta-feira, 11 de maio de 2011

"A língua saliva os dentes"

Poemas dependurados em varais verticais
Longe da chuva e dos ventos que os lançaram para fora do cortiço.
Depois de salvos e enxutos, será possível reescrevê-los e dizer a todos que quase foram totalmente perdidos por uma displicência santa.
Orgulha-se das reluzentes pétalas prateadas daquela rosa que desabrocha no seu dedo da mão direita. Dedo que indica indícios de uma gota de tinta que supostamente escapara da antiga caneta da sua avó. Enquanto a chuva não cessa... O tempo passa pelos relógios. Tempo louco de um esquizofrênico mundo dos homens. Homo sapiens, homo faber, homo sociologicus, homo economicus...
Ela, concentrada em frente à sua escrivaninha estima-se da gloriosa necessidade de escrever qualquer coisa que a permita afrontar os contrários. Seus olhos elásticos a conduzem para dentro e fora do cortiço. Ela sai em disparada pelos confins de sua razão distraída, e sob efeito hipnótico pelo tic tac do relógio na parede de seu quarto, e o alvoroçar dos pardais amontoados sobre os fios de alta tensão que anunciam o final daquela chuva passageira, retoma sua atenção para os poemas ali dependurados, quase secos...  prontos para serem rascunhados e dissecados. 
A sua maliciosa mente promiscua e transgressora não vê a hora de despejar sobre aquelas folhas, suas mais deliciosas fantasias de mulher apaixonada pela vida, pelas aventuras amorosas, que fazem de sua memória um desejado  jardim das delicias.  



" A língua saliva os dentes."


Didiu  2011

sábado, 7 de maio de 2011

DESPERTANDO HAICAIS

Apontou para o alto e fez da lua seu brinquedo, catou algumas estrelas contidas no céu e as guardou no bolso esquerdo do seu paletó.Então, encerrou os olhos e se pôs a sorrir.
Lamentou a vida e suas indelicadezas... serviu-se com mais uma xícara de vinho com poesias. Bebeu... embriagou-se. Agora vomita versos, tropeçando em vírgulas, se desequilibrando em reticências.
Ele acredita em fantasmas, diz que consegue vê-los. Alucinações de um poeta em devaneio. Talvez...(?). Contudo se refez... recompôs-se de uma ressaca filosófica.
Está preste a amanhecer, o galo canta,a lua se desmancha. O cheiro do maduro e a convicção da realização de tudo aquilo que desejara concretizar se aproxima. Precisa dormir para ainda acordar, e ver o dia com seus bons dias, leite, café e pão de padaria. Acordar e sorrir para o bem star diante do espelho, com seus cabelos ainda desgrenhados e olhos ressaquiados de tanto sono que não se cessa. Mas queria ficar alguns minutos acordado para cometer alguma sublevação em seu pensamento inquieto e subversivo. Reteu-se... utilizando sutilmente de descompassados e sonolentos passos se atira aos travesseiros e entrega-se a sua confortável cama.

Descansa à beira do sono breve
com sonhos longos ininterruptos
para despertar haicais.

Didiu 2011

sábado, 30 de abril de 2011

O QUINTO POEMA

Meu quinto poema não poderia ser tão somente um único verso
Meu quinto poema não poderia ser tão somente um emaranhado de palavras desconexas
Ele surge a partir de minhas indagações
O homem em sociedade
Somos homens animais maltrapilhos ostentadores de tamanha estupidez exarcebada
Por onde caminha a humanidade?
Sobre cacos cortantes de nossas pegadas, sombras e sobras do que verdadeiramente somos. Vivemos à mercê da nossa própria ignorância.
Nossa beleza se refugia nos escombros da nossa alma que suplica por um razão consistente, coesa.
Os significados permanecem atados, coagidos, reféns de nossa cegueira instaurada, impossibilitando qualquer tipo de reacção que possa de alguma forma nos levar a uma grande mudança justa.
Mas, ainda continuamos imorais, imóveis, prostrados diante de tudo
Meu quinto poema não poderia ser mais do que uma voz, um fôlego que representasse a melancolia sarcástica, ressentida de um filosofo.
Meu quinto poema dança certa valsa aguçando meu ilustre paladar
Sinto fome, sinto sede, meu pulso, meus batimentos cardíacos. Preciso recuperar meus óculos... desconstruir algumas muitas verdades.


Didiu  2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

CINCO PALAVRAS

Poderia eu, presenteá-la com a mais linda jóia rara
Só para ver seus olhos por um instante sorrirem 
Asas eu lhe daria
Para que possas voar
Como no sonho de Ícaro 
Voar como os pássaros
Voar como um anjo...
Um anjo cupido
Que atira flechas nos apaixonados e enamorados
E quando acordar com seu all star no balanço de uma rede...
Tão bela guria!
Então eu lhe diria: a felicidade está aí dentro de você... em sua psique
Sim, eu poderia!
... lhe faria um cafuné.
Então eu lhe diria: a felicidade está na simplicidade... nas lágrimas do palhaço
Me dê cinco palavras que lhe faço uma poesia.

Didiu  2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Sonhos...

Leveza branda que não se rompe
Mesmo de olhos abertos
Cativas meus muitos êxtases escondidos
Leveza branda sublinhando meu sorriso, meu riso
Minha gargalhada
Abro todas as janelas e deixo os ventos passarem apressados por mim
Ventos aprazíveis como os meus sonhos que se realizam em algum soneto

Meu eu lírico explode numa confissão
Minha dádiva, minha fé corrompida pelos prantos da dor
Que um dia foi-se em disparada ao encontro do meu mal-me-quer
Mas, meu bem-me-quer tranquilo... sereno

Sou tocador de liras poéticas, um sublime fragor
Adormeço com os meus sete anjos
Três querubins e quatro arcanjos
Bem-aventurado é  meu despertar


Ouço borburios do cálido silêncio
Eles estão em toda parte
Em todos os cantos da minha alma


Minha alma numa flor-poema
Desabrocha em desejo e prece
Realiza minha fantasia absoluta.

Leveza branda que nunca se rompe
Mesmo de olhos fechados
Meus sonhos...
Ponto.


Didiu 2011