

Fabriquei versos...
Construi contos e poesias
Fui parar na lua
-Daqui de cima até que é legal!
Não vi pegadas, nem bandeira alguma tremulando
Nenhum indício, pistas de uma ainda guerra fria
A lua é um bem comum para todos
Mas ainda pertence aos poetas.
Didiu 2009

Mais tarde...
Eu nunca deixo para ontem
Pode ser...
Vai saber!
Vai num breve amanhecer
E o sol há de convir
Que o porto resguarda toda embarcação
Seja ela clandestina ou não
Vai num breve logo entardecer
O sol se põe
Mas a lua desiste de sorrir
Alvoroço
Circunscrever até surgir qualquer garrancho
Garrido talvez
E a moça passeia...vagueia...
Deixo pra trás minhas asas.
Didiu
2008

Poder-se-ia dizer-te
Me espere tão bela como nos contos de fadas
Prepare a mesa
Sirva-te o café da manhã
Guarde seu sorriso
Entregue-o ao espelho
Guarde-o novamente
Entregue-o para mim.
Um sorriso à mesa posta
Didiu
2009

Semente que se transforma em árvore
Árvore que se transforma em banco
Banco que não quer ser árvore
Negação da negação
Tese - Antítese - Síntese
Árvore que dá frutos
Frutos que são sementes
Sementes que são árvores
Árvore que é verão, madeira, artesão
Ailton, Gepeto , José
Banco que me dá asas
Asas pra minha imaginação
Que me transporta para bem longe deste ínfimo mundo que tanto me incomoda
Uma flor para este banco!
Bolas, bolinhas, bolhas de sabão
Flor em movimento
Que transforma o ser
Ser onipotente, onipresente
Ubiquidade!
Cala-te, ó pensamento algoz
Devolva-me a serena paz dos pincéis que percorria sobre este banco
Cala-te, ó pensamento sofista!
Devolva-me a semente e a árvore deste banco
Dê-me de volta sua sublime essência.
Didiu
2003

Ritmo desatado do pensamento
Um beijo presente
Doce e bela
Mãos que acolhem a alma
O desejo
Incondicional sobretudo
Vento brando e agradável toca-lhe o rosto despertando-lhe o sorriso
Poema dialogo
Transcendo-me contemplando uma janela vazia
Sinto-a em folhas de rascunho
Em mais um poema curto, mas intenso
Revelando assim, desta tal forma, minha sincera e adorável querença avultada.
Didiu
2009

Diferença no escrever
Dizer
Sentir
Tocar
Complemento das palavras
Indo além dos dizeres
Dizeres polissílabos... monossílabos...
Ditongos e hiatos
Gramaticalmente unidos
Para se acompanharem
Sentindo passo a passo o sentir do outro
continuamente infinito
Sinto-me Alice maravilhosamente Alice
Meu mundo mundo meu
Espera-me
Me espera que vou
Que estou em desvairado devaneio
Entre meios e entremeios
Sensivelmente à flor da pele
O beijo
Pele suave serena
Serena sob luzes quem iluminam
Indicam caminhos
Possibilidades
Sonhos intermináveis sonhos em jardins sem sóis
Sob estrelas não cadentes
Sem serpentes, Adãos ou Evas
Pecado sagrado profano
Razão das desrazões ao vento que se foi
Razão que a própria razão desconhece
Jardim com sóis
Girassóis em busca do sol da manhã que acaricia a acalente pele
O maior do desamor e desilusões
Ao banco me dirijo
E apesar de como me encontro...
Me encontro desencontro encontro
Almas que partiram ao fim do início
Paradoxal
Vãs proposições sem finalidades propostas
Objetividades subjetivas
Sensivelmente sensível ao longe
Navio imaginado por uma alma talvez inóspita
Incompreesivel
Vôo emoldurado sob folhas que não caíram dispersas aprisionadas
Que viera contemplar a infinitude das diferenças
Da igualdade
Somos todos assim
Sem fim, sem início
Começo de uma vida!
A beleza do sentir só pode ser traduzida em poesia.
Didiu e Naiara Antunes
2009

Atemporal
Eis que me encontro fora do convencional tempo
"Além do Bem e do Mal"
Fora da aritmética simetria
Convencional...
Além do espaço sideral
E o tempo parou!
Atemporal fora do tempo
Minutos, horas, segundos
Relógios sem ponteiros
Cegos, forasteiros
Sem ordens, disformes
Meio confuso
Surdo no mundo
Cego!
Música boa, infame?
Cantantes errantes
Acertando a vida
Que vai além dos muros
Nada convencional!
Encontro-me completamente atemporal
Atemporal no tempo
Tempo dos homens
Retrospecto
Circunscrevo em cores
Momentos que me reencontro
Meio quase abstrato
Pincelando flores despedaçadas ao vento
Vento que virou ventos
Ventos que acabaram por trazer o velho tempo
Que nego
Silêncio mudo
Silenciar de tanta beleza no sentir
Poesia que vagueia nesse tempo inexistente
De repente atemporal novamente
Retrocesso - introspecto - introspectivo
Verdadeiramente surreal verdade
E assim navegamos juntos
À deriva
O caminho é o destino que construímos
Tijolos sobre tijolos
Arquitetura de arquitetos
O belo
Beleza inexpressível
Indizível
Não quero dizer
Faço, reconheço
Atemporal.
DIDIU REIS & NAIARA ANTUNES
2009