O silêncio em um labirinto
Ouvidos cegos não podem escutá-los
Olhos surdos não conseguem vê-los
O grito é a voz do silêncio
Que se perdeu num súbito encontro com a mais bela sensação de estar diante daquele
que por uma razão talvez metafísica revelasse-me o enigma de mais uma esfinge que ainda atormenta o homem
O homem encontra-se desprotegido
Sua armadura não lhe serve mais
Sua sabedoria caduca
Mal consegue caminhar, apesar do auxilio de sua velha e inseparável bengala
Herança de seu passado promissor.
Didiu 2006
Tive ideias
Ideias fixas!
O antídoto
O emplasto
O riso
O passageiro... efêmero
O sempre nunca é pra sempre
É um coletivo que passa
Estardalhaça
É o que vai
Foi-se
O tempo da dor
O tempo das dores
Sem cores
Desbotadas
Quase abstratas
É o que se repete
E que agora não é mais dor
É FORÇA
Energia potencializada
É o que nos faz perceber que estamos mais que vivos
Dor?
Didiu Dezembro 2008
Retratos retalhados sobre os telhados
Poesia marginal
O obscuro, o subversivo
A janela que se abre
O corpo que cai
Deleite delinquente deleite no jardim das delicias
Musas... ninfas...
Belas e intermináveis Eurídices
Fotografias ao vento
Dançando aquela suave nostalgia
Despindo-se das mais doces memórias
Misturando-se aos grãos de areia trazidos pelos infieis ventos frenéticos
O beijo no asfalto sob olhares apressados
Atropelado pelos velozes carros na via dupla
E agora, todas aquelas fotografias findam-se espalhadas
Despedaçadas sem poder retornar aos albuns e porta-retratos.
Didiu Novembro 2008
Relógio sem ponteiros
Cem ponteiros?!
Mas para que tantos ponteiros?
Lavei as escadas para aqueles romeiros
Beatos forasteiros!!!
Uma esmolinha pelo amor de Deus
Ajude este pobre ceguinho!
A casca envelhece
Apodrece, acaba...
Definha-se
Morre!
A peróla é brilhante
Sua beleza irradia
É uma gota de orvalho
Faz brotar
Dá frutos, que são sementes
Que viram árvores
Que dão flores...
Que fazem sombra
Para aquele casal que quer descansar
Que não é apenas casca.
Didiu 2006
Vinte ventos a libido
Sentimento sentido
Pensamentos vêem
Não enxergaram... foram-se
Resguardo-me daqueles olhos que me ofuscam
Fazem-me pensar
Desejo
Anseio ao vento
Vento que lhe toca
Suave lhe afronta
O gozo
Interminavelmente para sempre até o fim
O proibido... o torto
Calmamente subversivo vai
Desfaço desfazendo-me desvairado
E quando vós ouvirdes falar...
Incessantemente intenso será o começo
E não me implore para ir embora
E não me peça para que eu abra a porta
Ela não existirá!
Didiu Novembro 2008
A vida é para ser vivida paradoxalmente
Portanto, vamos mergulhar para o fundo do abismo
Vamos colocar nossas máscaras da tragédia!
Isto será preciso
Para alcançarmos o ponto mais alto desta montanha maluca
Vamos nos encontrar no amanhã
Mesmo que não faça sol.
Didiu 2005