domingo, 24 de abril de 2016

Lunar


Imagine

 estrelas cadentes - um terceto
luas cheias, crescentes e minguantes – um quarteto
Uma constelação de haicais, versos transitando entre nebulosas
A música suave dançando, valsando
Luzes e palavras, nuvens distraídas, o vento, a brisa branda ligeira, o riso, o sorriso da madrugada querendo adormecer num sonho

Ouça, feche os olhos

Imagine

Desperte o sonho
Voe calmamente deixe-se flutuar pelo toque, o tato
Os sons, o silencio, o burburinho, o sorriso dos olhos

A menina dos olhos

A música, a lua e a mocinha (bela e sem vírgulas)
cores e cifras
acordes, texturas e o ton.
a letra
a vogal
consoantes
instantes

a rima, a neblina.

Didiu 2016



sábado, 9 de abril de 2016

outono flores folhas e um pensamento


Discos, vitrolas radiolas...LP/s – com(pacto)
O mundo gira poesias
Lado “B” da vida, um caminho dois acordes para acordar discordar, o Sol, a lua, e o vento
Lento e a noite escondida...algumas (entre)linhas numa mistura de vozes

Acordar sem dormir no volume máximo tranquilo para escutar a cor, os olhos, o ton, o batom e o mel
Pensamento que se perde, que se encontra, reencontra o mar (inexistente) pálido, tácito

Do outro lado um soneto, porventura, talvez ou, quiçá um terceto
Trincheiras que roubei (uma expropriação)
Armadura transbordada com palavras, rimas e uma vermelha rosa flor cor-de-rosa.

A música

 Didiu 2016

domingo, 3 de abril de 2016

sobre a noite de ontem

Para poesia ter o que dizer: mais uma dose
Vida para poder remar
Para poder dizer metáforas, desenhá-las
Sonhar utopias
Leve, tranquilo suave amanhã para despertar
Bem cedo para continuar fotografias, imagens e o tempo
luas e nuvens 

Uvas e o pano vermelho de uma música a dois que roubei
Sobre o branco – sobre a mesa – sobremesa
Óculos derramados roubados pelo tinto vinho  
Conversas em cartões não postais

tim tim

Sorrisos e versos

Didiu 2016




segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

dois

A imaginação... o sonho que sopra
o desejo
O corpo que fala que diz, música suaviza
À noite, a chuva, a vontade do gozo, das línguas enroscadas juntas
Bocas que murmuram
Pernas nuas, calor que sacia gemidos úmidos, a cede do corpo, a pele arrepia

Desatando nó
Os detalhes do laço
O amasso
A maciez
Deslize

Didiu  2016




terça-feira, 20 de outubro de 2015

Insólito

Estende-se o vinho e a rua lá fora se põe iluminada
A música revisita a alma enquanto as mãos olham-se distraídas
A lua amanhece no céu sem estrelas brancas brandas...sorriso contido adormecido nas horas, na dobradura do tempo que corre descalço, desprovido

Cenas
Nevoeiro
Janelas e episódios
epilogo

sou um pássaro azul blues com sonhos de asas líricas
o canto pela contramão
a voz muda que grita versos indizíveis

Um sopro
Uma reza
disperso  caminho insólito.

Didiu 2015




sábado, 11 de julho de 2015

Bia e Antônio - A carta



E os poemas saltitavam pelos ares, saiam de uma abandonada gaveta de uma pequena escrivaninha amarelada pelo tempo. Diziam coisas e cores estampadas nas entrelinhas e pelas linhas escapavam revelando o abandono.
Espalhadas e dispersas confundiam-se contentes
Na memória da escrita um breve passo – moedas, marcador de texto e uma garrafa de vinho tinto fino seco.
Música de cór: trilha sonora pré-fabricada para resgatar amuletos
Lua cheia teleguiada no ar – televisão ligada, liquidificador e a dor agridoce da anacrônica crônica.
Tempo e contexto
Há controvérsia!
O acaso ao acaso casualmente casual

_Nada é igual, porém, há semelhanças.  Bia indagava!

Ela arrastava as mobílias do apartamento, fazia uma grande faxina nos cômodos e ao mesmo tempo no seu pensamento. Poeira pelos cantos, bolinhas de papel – maquina de escrever. Reposicionava alguns objetos e móveis, tudo para lhe parecer novo, uma sensação gostosa de novidade para lhe despertar inspiração para um novo texto, uma nova escrita em mente. Mais uma dose de vinho para saborear, brindar os sonhos... a vida! Bia sabia perfeitamente de uma forma bem peculiar aproveitar seu tempo, inventava e se reinventava com tamanha criatividade desvencilhando-se das rotinas enfadonhas. Alias, o tempo não a controlava. Ela era soberana de si mesma.

O interfone interrompe Bia dos seus afazeres e dos seus pensamentos. Era o porteiro do prédio dizendo para que ela descesse, pois tinha uma correspondência de Paris para ela la embaixo na portaria.
Ela desce ansiosamente correndo pelas escadas.

_ Olá, Sr. Pedro! O que tem para mim aí?

_ Olá Bia! Chegou está carta e este embrulho para você.

Bia pega o envelope juntamente com o embrulho e sobe em disparada se esquecendo até de  agradecer ao Sr Pedro, sua ansiedade era maior que qualquer outra coisa. Mas, antes que chegasse ao seu andar, ela grita feliz:

_ Obrigada, Sr. Pedro!!! 

Já em seu quarto, sobre a cama desarrumada, Bia abre vagarosamente o envelope. Era uma carta de Antônio para ela diretamente de Paris.
Bia sorri por fora e por dentro. 

Didiu 2015 




quarta-feira, 17 de junho de 2015

Tocar-lhe-ei beijar-te-ei



Esta noite vou lhe tocar de uma forma diferente
Penetrar pelos sentidos
Pelos olhos lhe invadir

Tato olfato, nos teus ouvidos o paladar

Repousarei, e em teu corpo minha presença, minha língua, minha cede
Em meu caminho tua pele, sorriso, frases perfiladas soltas

Vou lhe oferecer um café, um poema, um chá da tarde com música
E na cama desenharemos o mar revolto, agitado... as marés
A calmaria após o gozo, uma pausa, depois o sonho
Uma lua sobre nós, de repente.

Didiu 2015