domingo, 14 de dezembro de 2014

sobre a chuva que caía



Chuva
Uva
Vinho

Versos incertos
Dos versos, certeza
Na superfície das horas, cores azuis
Emudecido corpo, silencio do riso
Ausência do beijo, as gotas do tempo
A brisa lenta fria
Vontades verdades (in)solúveis

Abrigo abreviado desfazendo embaraços, nas entrelinhas dita na estrofe, na oração manuscrita numa folha de papel recortada pela mão suja de tinta.

Olhos se desvencilhavam do sono que insistia e por teimosia vencera.

Chuva
Sono
Sonho



Fazia música além da chuva... fazia muito bem aos ouvidos.


Didiu  2014
 



terça-feira, 9 de dezembro de 2014

compor ( uma poesia para mim )



Meus tons vermelhos, azuis ao vento
Rosas ,rosas rasas vermelhas, flores brancas brandas bailarinas
Sigo estrelas e os meus segredos eu guardo aqui na poesia da tela, meus barcos a vela nas mares do pacifico, atlântico do cântico
Num salto
Peço a reza, a prece... rogo verbos, palavras, miragens... desenho desejo, a fome faminta, a pele aflita arrepiada açoitada
Ergo-me com olhos atentos, apronto afoito os céus e as nuvens. Espero a nau com as boas novas  em cartas manuscritas escritas pela presença da saudade.

Minha luz-meia-luz
Minhas letras arranhadas entrelaçadas nas entrelinhas
Aperto o passo para devagar poder sonhar

Num mergulho
Vou ao fundo, profundo submergido até as alturas do termino fim

para emergir num instante apronto
prossigo  o verso...
uma poesia para mim.

Didiu  2014


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

sobre meu pouso ( além do que se vê ).



Restos e cacos
Nuvens esparsas no céu
Palavras esticadas num copo de verbos bordando retalhos diversos

Vidraças da alma
E o tempo aqui dentro remoendo versos
Minha cede pintada, avultada vontade e meus olhos ressacados nas paredes de vidro

Ajunto restos de poemas despetalados pelos  muitos ventos inversos
Meu sinonimo de sorriso é lágrima: um paradoxo filosófico

Atirem-me aos leões, aos tigres-dente-de-sabre!

Mitos e ritos
Deuses astutos fizeram-me assim com asas tortas arranjadas para o voo... pelo âmago sobrevoo... desfiladeiros além para ir. Sobreposto postulado

Todo lirismo em mim, para mim

E aquela música renasce... ressurge nas entrelinhas das esquinas do meu querer, na doce  ternura do meu desejo, no encosto das belas manhãs, tardes e noites afã.

Didiu  2014 



domingo, 7 de dezembro de 2014

pouco adiante



Um pouco  além...

E minha razão esculpida nas paredes com cascas desbotadas das casas desenhadas por mim num sonho
Meu  silencio falante, ofegante debruçado no pouso de mais um um crepúsculo pintado
Faço-me modelando palavras requentando versos
... e os pingos da chuva no vidro da janela escorrendo feito lágrimas na busca incessante de um atalho para se esconder

Um pouco de mim...

rascunho de variáveis olhares tentando reinventar bilhetes em guardanapo com beijo, 
alegorias, ideias metafóricas do meu ser-em-si, meu devir... predicado apalavrado com promessas líricas
vou seguindo descalço, calçando novas rugas, desenhando sonhos para depois pintá-los com cores alegres e tristes ( sorrisos e lágrimas ).

as pegadas que vejo
as pegadas que faço
as pegadas que deixo...
Meus vestígios, indícios,  minhas marcas

Minha alma tem asas tortas

Didiu  2014