domingo, 7 de dezembro de 2014

pouco adiante



Um pouco  além...

E minha razão esculpida nas paredes com cascas desbotadas das casas desenhadas por mim num sonho
Meu  silencio falante, ofegante debruçado no pouso de mais um um crepúsculo pintado
Faço-me modelando palavras requentando versos
... e os pingos da chuva no vidro da janela escorrendo feito lágrimas na busca incessante de um atalho para se esconder

Um pouco de mim...

rascunho de variáveis olhares tentando reinventar bilhetes em guardanapo com beijo, 
alegorias, ideias metafóricas do meu ser-em-si, meu devir... predicado apalavrado com promessas líricas
vou seguindo descalço, calçando novas rugas, desenhando sonhos para depois pintá-los com cores alegres e tristes ( sorrisos e lágrimas ).

as pegadas que vejo
as pegadas que faço
as pegadas que deixo...
Meus vestígios, indícios,  minhas marcas

Minha alma tem asas tortas

Didiu  2014



sábado, 29 de novembro de 2014

Obliquidade




Inclino-me assim
Diante adiante... e minhas asas predispostas postas abertas
Pairo pelos ares dos meus céus contornando dando voltas em torno de mim mesmo circunscrevo-me tecendo nuvens
Risco o infinito deixando traços, rastros com cores quentes e pálidas na velocidade do meu tempo reinventado esticando meu sorriso, dias, noites, até a madrugada repousar pela manhã
Dizeres prazeres e os versos sem vírgulas com reticências
 
Uma xícara de café com poesia e pouco açúcar para mim

Inclino-me assim...
Como pétalas  dum bem me quer que não me quer
Inclino-me assim diante dum espelho... e minha imagem uma miragem à deriva dispersa
Sigo pela” terceira margem de um rio”, minha genealogia, “além do bem e do mal”

Quem sabe
Quem soube
Quem soubesse
 

Submeto-me 

Didiu 2014
 







terça-feira, 11 de novembro de 2014

Moulin Rouge ( Bia e Antonio ).



Saias ensaiando pernas exiladas, sonhos devotos profetizando santos
Delinquência açucarada provando (provocando )mel
O doce das horas, o amanhecer que se levanta e se entrega aprontando, se arranjando para as Matinês – terças e quintas (13:00 ).Às quartas e domingos ( 23:00 )nos cabarés decifrando lágrimas e sorrisos a rigor.
Pernas alegremente animadas – seminuas – semideusas utópicas e efêmeras – sensualismo todo poderoso
Vodkas, cervejas... qualquer tipo de destilado. Bebedeiras estampadas nas taças e a música: cadenciada, trilha sonora das horas dispersas. Qualquer imaginário seria mera fornicação, desejos lascivos laçando, lançando-se ao gozo, para uma generosa sensação de alívio e volúpia.

Pernas ousadas alimentando olhares, e o olhar de Antonio um tanto disperso, distraído pela lembrança de Bia e alguns muitos insights para mais um texto que retratasse conveniências e inconveniências das noites agridoces de Paris
Longe de Bia, Antonio experimentava noites e dias revisando seus pensamentos que lhe proporcionavam momentos e sensações de ventilador dissipador de segredos.

Baixo, cabisbaixo, noites e dias findando, doses de estrelas no céu e as luzes da cidade  adormecendo,  despertando todos os dias, todos os meses, todos os anos ...
Ventos frios circulando, aflorando inúmeras saudades, desejos... sonhos e sempre uma poesia amena para lhe confortar.

Antonio sonhava

Bia fotografa a chuva e aeronaves no aeroporto.

Didiu 2014
 

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O voo dos sonhos ( poesia do Condor )





A poesia que não é de minha autoria

É do pássaro

Poema que não fui eu que fiz

Foi o pássaro

Mas os versos foram meus!

Palavras...  reticências, vírgulas, pensamentos

Estrofe para música, canção para as Minas Gerais

Flores que desabrocham, flor de laranjeira, oceano de pétalas

Filtro dos sonhos e o pássaro Condor com asas abertas, majestosa paz

Beleza manuscrita nas páginas dos céus, nas entrelinhas dos olhos castanhos, nos raios de todas as tardes e manhãs



E pela noite pousa o pássaro, descansa, se arranja para o novo voo.





Didiu  2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Tic TaC TiC TAC ( Indizível invisível )




O gesto do vinho pelo vermelho da boca

Tintos, os lábios da noite

E as taças erguidas versando a lua que atravessa o silêncio para o encontro dos olhos à mesa posta

Transbordam as horas

Bordam segundos seguidos

Minutos de segredos



E o clarão, a súbita voz dos segredos

Música

Verso

Poema



Tic TAC... tic TAC

Tic TAC indizível



Invisível relógio do tempo e a melodia que navega transcendendo, perpassando sonhos com asas rascunhadas, livres e libertas.



Fez-se então o clarão da lua

E as árvores da rua puseram a cantar... cantarolar.



Tic TAC... tic TAC



Didiu 2014