segunda-feira, 30 de setembro de 2013

"Maldição"

Injúrias proclamava aos ventos
Como pôde seus olhos percorrer outras terras?
Como pôde seus lábios tocar outros que não os meus? 
Como posso eu não enlouquecer sem seu toque?
Procurava em vão por seus olhos 
Enquanto outros me fitavam com prazer
Como pode meu corpo estremecer 
Se o toque que recebo está longe de ser o seu? 
Como posso ouvir promessas sórdidas 
De um amor que não possuo 
Se tudo o que desejo 
É o silêncio de seus lábios A tocarem os meus.

Cada milímetro do meu corpo 
Anseia pelo teu toque 
Deseja o teu corpo a vibrar entre as minhas pernas 
Quem é você? Sem tocar-me, enlouquece-me.
Possui a minha mente,
Toma o meu corpo.

Quem é você?
Que me aprisiona ao libertar-me
Amplia os meus caminhos 
Tortura-me ao me amar.

Quem é você, meu amor?
Torna-me única 
Torna-me só sua
Pois nada mais já me satisfaz.

Gleice Zanotti  2013

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Seducirme




Amor da minh`alma,
seduza-me com vagas promessas.
Tudo o que sai de teus lábios acaricia o meu coração
Plena em ti, torno-me sua lua,
em você,
meu céu.


Gleice Zanotti  2013

domingo, 22 de setembro de 2013

Perquisição

Minha alma de tanto amar-te
Vaga perdida
Entre trevas e abutres
Meus olhos desesperam-se 
Procurando incansáveis
Pelos lábios teus.
Por onde andas, Amor da minha'lma?
Entre trevas e luz 
Ainda estou a procurar-te 
Em outros corpos, outras vidas.
O amor que me conduz 
Errante, pelos vales negros da ilusão 
É o mesmo que liberta-o 
E oferece-me a luz.


Gleice Zanotti   2013

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A delicadeza de Bia.




Transitou, transcendeu. Aproveitou o momento e apanhou estrelas no céu, depois as jogou no mar, fechou os olhos... mergulhou.

Ele sorriu ao contrário, ao contrário de outros dias, outros tempos... outros momentos
Antônio subtraiu seu sorriso e adicionou algumas farpas, arranhaduras e frustrações. Caminhou com passos descompassados deixando-se levar gradativamente por pensamentos que lhe proporcionava pequenos momentos de súbitos êxtases, que de certa forma lhe trazia agradável e significativo conforto, fazendo com que seu imaginário flertasse com sua realidade prontamente provisória.
Todavia, o que mais deixava Antônio definitivamente repleto de fulgor, era a agradabilíssima recordação das voluptuosas noites e dias que passara com Bia naquele final de outono.
A Sensualidade e delicadeza de Bia excitavam-no, e sempre o deixava perfeitamente à flor da pele.
Bia e seu corpo com curvas brandas da pele clara e branca. Ela tinha gosto de mel com efeito embriagante de licores e vinhos de Baco, e o perfume de rosas brancas.


Antônio interrompeu os passos e o pensamento, direcionou seu olhar novamente para o céu, avistou pássaros que migravam para o sul
Antônio Sorriu.

Didiu  2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Decomposto



Em meio a palavras fétidas
Resultados de um amor mal resolvido
Tentavas em vão iludir os meus olhos com esperanças feéricas
Suspiros trágicos lançados sobre aquilo que não se viveu
Quebrando um silêncio dolorido
Ressoaram os sons definidos:

_Eu não te amo mais. Desculpe-me.


Gleice Zanotti 2013
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ruínas



Todas estas casas, todos estes prédios, cortiços
Ruas, esquinas...

Memórias

Transeuntes ausentes presentes nas marcas, nos rastros... vestígios
São resquícios, amores, desamores, (dis)sabores pelo escuro

Deleites

Aqui, taças já foram erguidas com bebidas: licores e vinhos para os corpos seduzidos, olhares, bocas e poemas.
As noites com suas luas, nuanças, e seus amantes com suas brigas mal resolvidas
Quereres e bendizeres
E na dobradura do silencio, sons do passageiro – o que se foi, o que existiu e insistiu pelo prazer... pelo gozo, pela volúpia. A vontade que já habitou e habituou-se em rascunhar, mapear todas as curvas, e delinear toda a respiração afrodisíaca, para as mãos se tocarem no abrigo dos corpos rendidos sobre lençóis sem culpa.

Didiu 2013


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

De Bia para Antônio



Envolta pelo silêncio de seu quarto, Bia recusa-se a pensar em Antônio. Algumas coisas simplesmente não tem que ser, pensava resignada. E com os olhos invocava palavras em poemas:

Amor da minha’lma
Quão distantes ficaram nossos destinos
Desentoados pelas palavras doentes
E pelo silêncio amargo
Quanta dor nos causamos
Levados pela incompreensão
Pela ausência de nossos olhos
Frêmitos de medos
Recusamo-nos a nos entregar
Seja ao sentimento
Seja à vida
Medos que acabaram por nos afastar
Amor da minha’lma
A partida do meu corpo
Não significa a morte do meu amor
Representa apenas a recusa
Perante imagens intocadas.
A chuva que toca o meu rosto
Me faz sorrir e amar
A chuva que toca o teu rosto
Te faz navegar em outro mar.

Gleice Zanotti  2013