"A vida é feita de encontros apesar de tantos desencontros." O homem deixa sua marca no tempo e no espaço,ele idealiza, realiza, deixa seu legado. O homem tem o poder da escrita, o poder do discurso, tanto para o bem quão para o mal. O homem é ser dialético. O pensamento é dialético! O homem é o encontro em-si, para-si, para-outrem.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
NHOQUE
Pois bem!
Era um bom moço sobre um velho tapete que herdara de seu querido avô,
que ele só conhecia atravez das fotos emolduradas que enobreciam a elegante sala de jantar.
E sobre o tapete ele ficava por horas e horas...e sempre descalço. Talvez para canalizar melhor a energia que para ele ali continha.
Sim! Era um bom moço.
Um bom moço com sua bela mocidade. Amigo de todos...amigo pra todas as horas!
Mas aquele tipo de comportamento encucava à todos!
O que passava em sua cabeça para agir daquela forma tão estranha?
Alguns diziam que ele era um "doido varrido". Igualzihno ao seu avô!
"Não batia bem das bielas".
Mas muitos ,pertencentes à família, acreditavam que ele ficava ali prostrado se deliciando não se sabe como, com o cheirinho delicioso do nhoque que só seu querido e simpático avô sabia preparar.
domingo, 27 de dezembro de 2009
Asas Tortas
Fome... sede
Há uma grande necessidade de devorar letras
Depois cuspi-las!
Letras tortas garranchadas
É preciso arranca-las dos livros
Dos dicionários filosóficos, dos manuscritos
Dos textos sagrados e literários
Ansiedade...desejo
Desejo de beijá-la, de seduzi-la
De conduzi-la ao jardim das delícias
E presenteá-las com pétalas daquela flor que despedacei
Riso... sorriso
Me vesti com sua doce gargalhada
Me despi
Me fiz nu
Atravessei a rua driblando velozes automóveis
Que avançavam os sinais fechados
Então um anjo brotou em mim
Com asas tortas pronto para aniquilar toda a estupidez do mundo.
Didiu 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
ADORÁVEL CADELA

Sem pudor e aos delírios, ela atravessou a rua
cantarolando em sua memória uma música suave com a fragrância de gardenias.
Desvinculada e despreocupada, trazendo o deboche em seu olhar malicioso
ela acenava cordialmente em cumprimento cativando a todos que passavam por ali
Seguia a passos lentos com toda sua indiscutível elegância
a que se orgulhava muito.
Trazia consigo confortavelmente protegida em seus braços uma aparentemente
inofensiva adorável cadela.
Era uma horrível e peluda pequinês com seus afiados e enormes dentes de vampiro que gotejava sangue.
Aquela cadela despudorada fizera mais uma vítima. Mordera a perna de mais um
pacato cidadão que fazia sua habitual caminhada por aquelas redondezas.
DIDIU 2009
quarta-feira, 22 de julho de 2009
VERSOS DISPERSOS

Fotografias não reveladas revelam o desprazer do inconsistente
Do acaso
Da luz opaca
Da súbita subjetiva relatividade
Negativos soltos e dependurados
Gotejando cores e rumores
De um mundo retratado por lambe-lambes
Das velhas praças dos muitos velhos
Crianças, contempladores e enamorados
Visto a velha praça
Calço homens e mulheres que se ajoelham em oração e prece
Suplício no templo sagrado
Renego a flor que não brotou
Primavera em meus olhos!
E a bailarina dança
Com seus cabelos cacheados
Reunindo todos aquelas versos
Que estavam dispersos.
Didiu 09
quinta-feira, 16 de julho de 2009
PARTO
Sólida e progenitora
O obscuro e a luz
Bela e prenha
Não ouve choro, lágrima ou dor
Surgiu em silêncio
Apaguei a luz
Ela calma e sorridente dando gargalhadas
Sonora míngua
E agora descansa a sólida progenitora
Sob a luz dos quase loucos poucos muitos poetas
Quantos sois, quantas luas!
Quantas republicas e monarquias!
Quantos castelos no medievo!
Quantos socráticos e pré-socráticos!
Não sou Tales de Mileto!
Não estudei a medida do tempo utilizando o relógio solar
Apresentaram-me o formatado
Meu tempo pela janela
Contemplando minha adorável maiêutica.
Didiu 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
DITO
Digito a digital dos dedos
Indícios
Digito a digital dos versos
Implícitos
Observo o tempo frio e suas nuances
O grito das cirandas e amarelinhas
Contra-gotas, gotas, a boêmia
O pássaro azul de origame
A volta ao mundo em 80 dias
África, Europa, Ásia, Américas, Oceânia
América Latina!
Digito os números, as senhas...
Não decifro os complicados códigos
Minha embarcação é clandestina
Sou rei, fidalgo, marquês, conde e visconde
O bobo da corte!
Meu castelo é de cartas
Embaralhadas, atrapalhadas
Pace e luce!
Digito o apreciável dito
O mito, o ditado popular
O dito pelo não dito.
Didiu 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
POTOSÍ
Calmo...
Depois que a chuva passou
Devoro uvas vermelhas e verdes
O silêncio me traz algo
Estou em 1688 na velha Potosí
Com sua torrente de prata
Seus poetas, contadores de histórias
Escravos negros e criados índios
Escrevo poesias...
Já imaginei um encontro entre dois pontos
Interrogação - Exclamação
Um diálogo, um conto
Olhos fechados
Vislumbrando cores e imagens
Olhos atados
Sinto-me pele
Numa efervescência desvairada
Corpos colados
Cartas manuscritas
Cartas datilografadas
Contemplando flores subjetivas
Refazendo-me na exuberância das riquezas da velha Potosí.
Didiu 2009
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